Por muito tempo, as doenças cardiovasculares foram associadas ao envelhecimento. No imaginário popular, infartos, AVCs e outras complicações cardíacas eram vistos como problemas restritos à terceira idade. No entanto, números afirmam que hoje a realidade não é mais a mesma.
Estudos recentes mostram que os eventos cardiovasculares vêm atingindo pessoas cada vez mais jovens. Uma pesquisa publicada em 2026 no Journal of the American Heart Association, com quase 1 milhão de hospitalizações analisadas entre 2011 e 2022, identificou aumento nas mortes após o primeiro infarto entre adultos abaixo de 54 anos.
O impacto dos hormônios e anabolizantes.

Recentemente, a morte do atleta e influenciador fitness Gabriel Ganley reacendeu o debate sobre os riscos associados ao uso indiscriminado de hormônios e anabolizantes.
Embora cada caso tenha suas particularidades e as causas específicas devam ser avaliadas pelas autoridades e profissionais responsáveis, especialistas alertam há anos para os efeitos cardiovasculares que o uso de anabolizantes podem trazer. Alterações nos níveis de colesterol, aumento da pressão arterial, sobrecarga cardíaca e alterações estruturais do músculo do coração são apenas alguns deles.
Casos de atletas e influenciadores costumam ganhar grande repercussão, mas servem como um importante lembrete de que a aparência física nem sempre reflete um organismo saudável.
O outro extremo: sedentarismo, excesso de telas e obesidade.
Se por um lado existem os riscos associados à busca por resultados físicos extremos, por outro, o sedentarismo continua sendo uma das principais ameaças à saúde cardiovascular entre os jovens.
Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizado com cerca de 1,2 mil adolescentes, identificou que 74,4% apresentavam uso excessivo de telas. Os pesquisadores observaram que quanto maior o tempo em frente a celulares, televisões e videogames, pior tende a ser a qualidade da alimentação, com maior consumo de alimentos ultraprocessados e maior risco de sobrepeso e obesidade.

Segundo o estudo, o excesso de telas também favorece hábitos mais sedentários e reduz a prática de atividades físicas, fatores diretamente relacionados ao aumento de doenças cardiovasculares. O contraste é preocupante: enquanto alguns jovens colocam a saúde em risco em busca de resultados físicos acelerados, outros enfrentam os impactos de uma rotina marcada pelo sedentarismo, alimentação inadequada e excesso de tempo conectado. Em ambos os casos, o coração acaba sendo um dos principais afetados.
Ultraprocessados: um hábito cada vez mais presente na alimentação.
Ainda falando sobre ultraprocessados, segundo dados divulgados pela Agência Brasil, estes alimentos já representam quase um quarto do que é consumido pelos brasileiros. Entre eles estão refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, embutidos, refeições prontas e diversos produtos industrializados ricos em sódio, açúcares, gorduras e aditivos químicos.
O consumo frequente desses produtos está associado ao aumento do risco de obesidade, hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Além disso, a praticidade oferecida pelos ultraprocessados muitas vezes substitui refeições mais equilibradas, reduzindo a ingestão de alimentos in natura e minimamente processados.
Para os jovens, que frequentemente conciliam trabalho, estudos e rotina acelerada, a conveniência desses alimentos pode parecer uma solução. No entanto, os impactos desse padrão alimentar costumam se acumular ao longo do tempo e podem comprometer significativamente a saúde cardiovascular.
A importância da prevenção.
Apesar do cenário preocupante, muitos fatores de risco cardiovasculares podem ser prevenidos. Hábitos saudáveis, atividade física regular, alimentação equilibrada e acompanhamento médico são fundamentais para reduzir o risco de doenças cardíacas.
Também é importante conscientizar os jovens sobre os riscos do uso indiscriminado de hormônios e anabolizantes. Os dados mostram que cuidar da saúde cardiovascular deve ser uma prioridade desde cedo, garantindo mais qualidade de vida ao longo dos anos.