As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser um assunto restrito aos consultórios médicos e passaram a fazer parte das conversas do dia a dia. Popularizadas por medicamentos como Ozempic e Mounjaro, elas vêm sendo utilizadas por milhões de pessoas em todo o mundo como uma importante ferramenta no tratamento da obesidade e do sobrepeso. 

 

Apesar da popularidade, ainda existem muitas dúvidas sobre como esses medicamentos funcionam, para quem são indicados e quais cuidados devem ser observados antes de iniciar o tratamento. 

 

As canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis que utilizam substâncias capazes de imitar a ação de hormônios produzidos naturalmente pelo organismo. Entre elas, a mais conhecida é a semaglutida, pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. 

 

O GLP-1 é um hormônio liberado pelo intestino após as refeições e desempenha papel fundamental no controle da glicemia e da saciedade. Ao reproduzir sua ação, a semaglutida atua em diferentes partes do organismo: 

 

  • No cérebro, aumenta a sensação de saciedade e reduz o apetite;
  • No estômago, retarda o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de satisfação após as refeições; 
  • No pâncreas, estimula a liberação de insulina quando necessário, contribuindo para o controle da glicose no sangue. 

 

Essa combinação faz com que a pessoa sinta menos fome, reduza a ingestão de calorias e, consequentemente, perca peso ao longo do tratamento. 

 

Entretanto, os especialistas são unânimes em afirmar que os melhores resultados acontecem quando o medicamento é associado à adoção de hábitos saudáveis, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento multiprofissional. 

 

Embora sejam considerados seguros quando utilizados sob prescrição e acompanhamento médico, os medicamentos à base de semaglutida podem provocar efeitos adversos, principalmente nas primeiras semanas de uso. 

 

Os sintomas mais comuns incluem: 

 

  • Náuseas; 
  • Vômitos; 
  • Diarreia; 
  • Constipação intestinal; 
  • Dor abdominal; 
  • Azia e outros desconfortos gastrointestinais. 

 

Na maioria dos pacientes, esses efeitos diminuem gradualmente conforme o organismo se adapta ao tratamento. Em situações menos frequentes, podem ocorrer complicações mais graves, como pancreatite, alterações na vesícula biliar e desidratação decorrente de episódios intensos de vômitos ou diarreia. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável para monitorar a evolução do paciente e identificar precocemente possíveis complicações. 

Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado, especialmente sem orientação profissional. Além de aumentar o risco de efeitos adversos, ele pode favorecer a perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais e o chamado efeito rebote, caracterizado pela recuperação do peso após a interrupção do medicamento. 

 

As canetas emagrecedoras não são indicadas para todas as pessoas. Antes de iniciar o tratamento, é fundamental passar por uma avaliação médica para verificar se o medicamento é seguro e adequado para cada caso. 

 

De forma geral, o uso não é recomendado para: 

  • Gestantes e mulheres que estejam amamentando; 
  • Pessoas com histórico de pancreatite; 
  • Pacientes com determinados tipos de câncer de tireoide ou histórico familiar da doença; 
  • Pessoas com hipersensibilidade aos componentes da fórmula; 
  • Indivíduos com algumas doenças gastrointestinais graves. 

 

Além das contraindicações, fatores como histórico clínico, uso de outros medicamentos, presença de doenças associadas e objetivos terapêuticos também devem ser considerados na decisão médica. 

 

No Brasil, a farmacêutica EMS iniciou a comercialização da primeira caneta de semaglutida produzida em território nacional, chamada Ozivy. O medicamento começou a ser distribuído em 15 de junho com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e utiliza o mesmo princípio ativo presente em produtos como Ozempic, atuando no controle da glicemia e promovendo maior sensação de saciedade.  

 

O preço inicial é de R$ 452 por caneta, valor inferior ao praticado pelos produtos de referência disponíveis no mercado. A chegada da versão nacional deve aumentar a concorrência e contribuir para a redução dos preços dos medicamentos à base de semaglutida. Após o fim da patente, outras fabricantes também anunciaram versões nacionais e ajustes nos preços de seus produtos. 

 

 

O uso consciente faz toda a diferença 

 

As canetas emagrecedoras representam um dos maiores avanços da medicina no tratamento da obesidade nas últimas décadas. Além de favorecerem a perda de peso, estudos demonstram benefícios importantes no controle da glicemia, na redução do risco cardiovascular e na melhora da qualidade de vida de muitos pacientes. 

 

No entanto, esses medicamentos não devem ser vistos como uma solução rápida ou definitiva para o emagrecimento. Seu uso exige indicação médica, acompanhamento contínuo e comprometimento com mudanças duradouras no estilo de vida. 

 

Quando prescritas de forma individualizada e associadas a uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e acompanhamento profissional, as canetas emagrecedoras podem se tornar uma ferramenta segura e eficaz para promover saúde, controlar doenças associadas ao excesso de peso e proporcionar resultados sustentáveis a longo prazo.